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Autor PrincipalNeurociênciasTraduzido de EN

Sequelas Neuroanatômicas da Síndrome Pós-COVID-19

COVID longa causa atrofia cortical e desmielinização cerebral. Revisão identifica redução de até 2% da substância cinzenta pós-infecção.

1 de junho de 2022Australian Journal of Basic and Applied Sciences (AJBAS)DOI: 10.22587/ajbas.2022.16.2.1

Coautores

Alexia A. R. Lima, Ana Luíza Pellissaro, Ana Paula D. Hermes, Beatriz R. Canato

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Revisão identifica que o SARS-CoV-2 causa alterações neuroanatômicas persistentes, incluindo redução de até 2% do volume de substância cinzenta no córtex orbitofrontal e giro para-hipocampal. Desmielinização periventricular e atrofia do bulbo olfatório correlacionam-se com déficits cognitivos, anosmia e fadiga relatados por 30-50% dos pacientes pós-COVID após 12 semanas.

Quais alterações cerebrais o COVID-19 pode causar a longo prazo?

O SARS-CoV-2 provoca alterações neuroanatômicas mensuráveis por neuroimagem, mesmo em pacientes que tiveram formas leves da doença. Estudos de ressonância magnética estrutural demonstram redução média de 0,7-2% no volume de substância cinzenta no córtex orbitofrontal e no giro para-hipocampal em pacientes avaliados 4-5 meses após a infecção. Essas alterações se correlacionam com os déficits de memória, dificuldade de concentração e fadiga cognitiva que compõem a síndrome pós-COVID, afetando 30-50% dos recuperados por mais de 12 semanas.

| Aspecto | Detalhe |

|---------|---------|

| Prevalência de sintomas neurológicos persistentes | 30-50% dos recuperados |

| Redução de substância cinzenta | 0,7-2% no córtex orbitofrontal |

| Via de invasão cerebral principal | Olfatória (placa cribiforme) |

| Tempo mínimo para detecção por RM | 4-5 meses pós-infecção |

| Estruturas mais afetadas | Córtex orbitofrontal, giro para-hipocampal, bulbo olfatório |

Vias de neuroinvasão do SARS-CoV-2

O vírus possui neurotropismo documentado e alcança o sistema nervoso central por duas vias principais. A via olfatória, através dos nervos olfatórios e da placa cribiforme, é a mais estudada e explica a alta prevalência de anosmia como sintoma inicial. A via hematogênica envolve a travessia da barreira hematoencefálica, facilitada pela expressão de receptores ACE2 nas células endoteliais cerebrais. Uma terceira via, retrógrada, através de nervos periféricos como o vago, também tem sido proposta para explicar o envolvimento do tronco cerebral.

Alterações estruturais documentadas

A neuroimagem estrutural de pacientes pós-COVID revela um padrão consistente de danos. A substância cinzenta cortical apresenta redução volumétrica, particularmente nas regiões orbitofrontal e para-hipocampal, áreas integradas a funções de memória, tomada de decisão e processamento emocional. A substância branca periventricular mostra sinais de desmielinização, identificáveis como hiperintensidades em T2/FLAIR na ressonância magnética. O bulbo olfatório exibe atrofia em até 40% dos pacientes com anosmia persistente, e o tálamo apresenta redução volumétrica associada a fadiga e distúrbios do sono.

Mecanismos de dano neuronal

A lesão neuronal na COVID-19 resulta de mecanismos diretos e indiretos. O vírus infecta células da micróglia e astrócitos, desencadeando neuroinflamação com liberação de citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF-alfa, IL-1beta). A tempestade de citocinas provoca dano endotelial, microtrombose cerebral e hipóxia tecidual. O estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial perpetuam o dano neuronal mesmo após a eliminação viral, explicando a persistência das sequelas.

Contexto clínico

Os achados neuroanatômicos pós-COVID têm implicações diretas para a psiquiatria. Sintomas como fadiga cognitiva, dificuldade de concentração, ansiedade e depressão — presentes em 30-50% dos pacientes recuperados — possuem correlato neuroanatômico identificável. O psiquiatra deve considerar a história de COVID-19 na avaliação de novos quadros de comprometimento cognitivo, depressão ou ansiedade, especialmente em pacientes sem antecedentes psiquiátricos. A reabilitação neuropsiquiátrica integrada, combinando intervenção farmacológica e cognitiva, mostra resultados promissores nessa população.

Perguntas Frequentes

Como o SARS-CoV-2 atinge o cérebro?

O vírus alcança o sistema nervoso central principalmente pela via olfatória, atravessando a placa cribiforme através dos nervos olfatórios. A via hematogênica, pela barreira hematoencefálica via receptores ACE2, e a via retrógrada por nervos periféricos são rotas adicionais documentadas em estudos neuropatológicos.

Todos os pacientes com COVID desenvolvem sequelas cerebrais?

Não. As alterações neuroanatômicas são mais frequentes em formas graves, mas também ocorrem em casos leves. Estudos de neuroimagem identificam alterações mensuráveis em 30-50% dos pacientes após 12 semanas da infecção. Idade avançada, comorbidades cardiovasculares e gravidade da fase aguda são fatores de risco para sequelas neurológicas persistentes.

As alterações cerebrais pós-COVID são reversíveis?

Dados longitudinais sugerem recuperação parcial em parte dos pacientes ao longo de 6-12 meses, mas algumas alterações estruturais podem persistir. Estudos com seguimento de 2 anos mostram que 15-20% dos pacientes mantêm déficits cognitivos mensuráveis. A reabilitação cognitiva e o tratamento farmacológico adequado podem otimizar a recuperação funcional.

Quais sintomas neuropsiquiátricos estão associados às alterações cerebrais?

Déficits de memória e atenção correlacionam-se com atrofia do giro para-hipocampal. Alterações comportamentais e de tomada de decisão associam-se à redução volumétrica do córtex orbitofrontal. Fadiga e distúrbios do sono correlacionam-se com alterações talâmicas. Anosmia persistente reflete atrofia do bulbo olfatório.

Referência ABNT

FLAUZINO, Jhonas Geraldo Peixoto; LIMA, Alexia A. R.; PELLISSARO, Ana Luíza; HERMES, Ana Paula D. et al.. **Sequelas Neuroanatômicas Associadas à Síndrome Pós-COVID-19**. Australian Journal of Basic and Applied Sciences (AJBAS), 2022. DOI: [10.22587/ajbas.2022.16.2.1](https://doi.org/10.22587/ajbas.2022.16.2.1).

Links Externos

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