Voltar para Publicações
CoautorNeurociências

Epilepsia na Infância: Métodos e Estudos

Epilepsia afeta 0,5-1% das crianças. Revisão sobre diagnóstico por EEG, síndromes pediátricas e tratamento com antiepilépticos e dieta cetogênica.

1 de março de 2022International Journal of Development Research (IJDR)DOI: 10.37118/ijdr.24219.03.2022

Coautores

Felipe A. Simon, Ana Luíza Pellissaro, Caroline K. Erthal

epilepsiapediatrianeurologia infantilcrises epilépticaseletroencefalograma

A epilepsia afeta 0,5-1% das crianças no mundo. O eletroencefalograma (EEG) é o exame diagnóstico principal, com sensibilidade de 50-60% em registro de rotina. Síndromes como West e Lennox-Gastaut apresentam prognóstico reservado, enquanto a epilepsia rolândica tem remissão espontânea em 95% dos casos. Tratamento inclui antiepilépticos, dieta cetogênica e estimulação vagal.

Como diagnosticar e tratar a epilepsia na infância?

A epilepsia é uma das condições neurológicas mais frequentes na pediatria, com prevalência de 0,5-1% na população infantil mundial. O diagnóstico baseia-se na combinação de anamnese clínica detalhada, eletroencefalograma (EEG) — cuja sensibilidade em registro de rotina é de 50-60%, aumentando para 80-90% com monitoramento prolongado por vídeo-EEG — e neuroimagem por ressonância magnética cerebral. A classificação pela International League Against Epilepsy (ILAE) distingue crises focais, generalizadas e de início desconhecido, orientando a escolha terapêutica.

| Aspecto | Detalhe |

|---------|---------|

| Prevalência na infância | 0,5-1% das crianças |

| Sensibilidade do EEG de rotina | 50-60% |

| Sensibilidade do vídeo-EEG prolongado | 80-90% |

| Remissão espontânea (epilepsia rolândica) | ~95% na adolescência |

| Refratariedade ao tratamento | 20-30% dos casos |

Principais síndromes epilépticas pediátricas

A identificação da síndrome epiléptica específica é fundamental para definir prognóstico e tratamento. A síndrome de West, com tríade clássica de espasmos infantis, hipsarritmia ao EEG e regressão do desenvolvimento, manifesta-se entre 3-12 meses de vida e exige tratamento urgente com vigabatrina ou ACTH. A síndrome de Lennox-Gastaut, com múltiplos tipos de crises e atividade lenta difusa ao EEG, apresenta prognóstico geralmente desfavorável com refratariedade medicamentosa frequente.

Em contraste, a epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais (epilepsia rolândica) tem prognóstico excelente, com remissão espontânea na adolescência em aproximadamente 95% dos casos. A epilepsia de ausência infantil responde bem ao etossuximida ou valproato, com controle completo das crises em 70-80% dos pacientes. A síndrome de Dravet, causada por mutação no gene SCN1A em 80% dos casos, apresenta crises refratárias e comprometimento cognitivo progressivo.

Abordagens terapêuticas

O tratamento farmacológico de primeira linha varia conforme o tipo de crise: valproato e etossuximida para crises de ausência, carbamazepina e oxcarbazepina para crises focais, e levetiracetam como opção ampla com perfil favorável de efeitos adversos. A monoterapia inicial controla as crises em 60-70% dos pacientes.

Para os 20-30% de casos refratários, abordagens não farmacológicas complementam o arsenal terapêutico. A dieta cetogênica reduz a frequência de crises em mais de 50% em cerca de metade dos pacientes refratários. A estimulação do nervo vago é uma opção para pacientes não candidatos a cirurgia. A cirurgia de epilepsia, quando há lesão estrutural identificável, pode promover controle completo das crises em casos selecionados.

Contexto clínico

A epilepsia na infância tem interface direta com a psiquiatria. Crianças com epilepsia apresentam prevalência de 30-40% de comorbidades psiquiátricas, incluindo TDAH, ansiedade, depressão e transtornos de comportamento. Fármacos antiepilépticos podem induzir alterações comportamentais e cognitivas, e alguns antiepilépticos como levetiracetam estão associados a irritabilidade em até 10% dos pacientes pediátricos. O psiquiatra deve participar da equipe multidisciplinar, especialmente nos casos com comorbidades psiquiátricas e na avaliação pré-cirúrgica de epilepsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sinais de epilepsia em crianças?

Os sinais variam conforme o tipo de crise: convulsões com movimentos tônico-clônicos, episódios de olhar fixo com perda de consciência (ausências), quedas súbitas, movimentos repetitivos involuntários ou espasmos em salva nos lactentes. Alterações sutis como movimentos orofaciais automáticos ou paradas comportamentais podem ser a única manifestação em crises focais.

O EEG normal descarta epilepsia?

Não. O EEG de rotina tem sensibilidade de apenas 50-60%, podendo ser normal em pacientes com epilepsia confirmada. Quando a suspeita clínica persiste, monitoramento por vídeo-EEG prolongado aumenta a sensibilidade para 80-90%. O diagnóstico de epilepsia é fundamentalmente clínico, e o EEG é ferramenta auxiliar.

A epilepsia infantil tem cura?

Depende da síndrome epiléptica. A epilepsia rolândica remite espontaneamente na adolescência em cerca de 95% dos casos. A epilepsia de ausência infantil tem controle completo em 70-80% dos pacientes. Síndromes como Lennox-Gastaut e Dravet tendem a ser refratárias, com prognóstico mais reservado e necessidade de tratamento ao longo da vida.

A dieta cetogênica funciona para epilepsia?

A dieta cetogênica é eficaz em epilepsias refratárias: reduz a frequência de crises em mais de 50% em cerca de metade dos pacientes que a utilizam. É especialmente indicada em síndromes como Dravet e Lennox-Gastaut. Exige acompanhamento nutricional rigoroso e monitoramento de efeitos adversos como dislipidemia e nefrolitíase.

Referência ABNT

FLAUZINO, Jhonas Geraldo Peixoto; SIMON, Felipe A.; PELLISSARO, Ana Luíza; ERTHAL, Caroline K.. **Epilepsia na Infância: Métodos e Estudos**. International Journal of Development Research (IJDR), 2022. DOI: [10.37118/ijdr.24219.03.2022](https://doi.org/10.37118/ijdr.24219.03.2022).

Links Externos

  • [Acessar artigo original (DOI)](https://doi.org/10.37118/ijdr.24219.03.2022)
  • [Perfil do autor no Lattes](http://lattes.cnpq.br/0135394943777392)
Assistente Virtual
Consultório Dr. Jhonas
Assistente virtual — não substitui consulta médica.
Olá! Sou o assistente virtual do consultório do Dr. Jhonas Flauzino. Posso ajudar com informações sobre agendamento, horários, localização e áreas de atuação. Como posso ajudá-lo?