Realidade Virtual no Tratamento e Reabilitacao de Demencias
Capitulo sobre a aplicacao da realidade virtual como ferramenta terapeutica no tratamento e reabilitacao de pacientes com demencias.
Autores dos capítulos
Sabrina D. V. Fernandes et al.
Organizador da obra — este capitulo integra a coletanea organizada pelo Dr. Jhonas Flauzino.
Estima-se haver cerca de 46,8 milhoes de pessoas com demencia no mundo, podendo chegar a 74,7 milhoes em 2030 e a 131,5 milhoes em 2050. Estudos recentes apontam a Realidade Virtual (RV) como uma ferramenta potente para trabalhar com idosos com demencia por meio de atividades terapeuticas, tecnicas de avaliacao e de reabilitacao cognitiva. Esse estudo objetivou revisar a literatura cientifica que aborda a aplicacao da RV como uma ferramenta efetiva para o tratamento e reabilitacao de pacientes com demencia. Observou-se que nos estudos avaliados houve melhoria na funcao executiva, memoria visuoespacial, fluencia verbal, aprimoramento da direcao e atencao, tomada de decisao, humor e velocidade de processamento.
Realidade Virtual no Tratamento e Reabilitacao de Demencias: Uma Revisao Integrativa
**Autores:** Sabrina Devoti Vilela Fernandes, Ana Clara de Lima Moreira, Rafael Freitas Silva Peralta, Marcos Leandro Pereira
**Instituicao:** Centro Universitario de Patos de Minas — MG
**Palavras-chave:** Dementia. Virtual Reality.
1. Introducao
De acordo com o Relatorio de 2018 da Associacao Internacional de Alzheimer, uma pessoa a cada tres segundos e diagnosticada com demencia. Atualmente, estima-se haver cerca de 46,8 milhoes de pessoas com demencia no mundo, podendo chegar a 74,7 milhoes em 2030 e a 131,5 milhoes em 2050 (ADI, 2018). Trata-se de uma doenca neurodegenerativa, definida como degradacao adquirida das capacidades cognitivas com perda funcional, tendo demencia vascular, demencia de Lewy, demencia frontotemporal e Doenca de Alzheimer (DA) como suas patologias subjacentes mais comuns, e a DA a mais prevalente (HAUSER; JOSEPHSON, 2015).
O acometimento neuropsicologico da demencia pode alterar a qualidade de vida, gerar incapacidades funcionais e dificuldades na realizacao das atividades de vida diaria. Sintomas comportamentais e psicologicos como disturbios da percepcao, de pensamento, de humor e de comportamento sao bastante comuns, manifestando depressao, agitacao, alucinacoes e delirios (NICHOLS et al., 2016).
As pesquisas de reabilitacao da memoria tem se baseado em teorias recentes de neuroplasticidade como resultado da interacao e estimulacao com ambientes diferenciados (COTELLI et al., 2012). As intervencoes nao-invasivas e nao-farmacologicas de reabilitacao cognitiva ganharam destaque, evidenciadas pela criacao de varios protocolos e softwares explorando a realidade virtual (RV) (DONIGER et al., 2018).
O uso da tecnologia da RV como tratamento de disturbios psicologicos foi realizado pela primeira vez em 1994 na Universidade Clark (Atlanta) (NORTH; NORTH, 1994). Desde entao, sua ferramenta de criacao de ambientes e situacoes tem sido disseminada, capacitando explorar emocoes, cognicao e aptidao fisica.
No que se refere a aplicacao de RV em pacientes com demencia, a construcao de uma metodologia para trabalhar com idosos em ambientes virtuais pode permitir o desenvolvimento de atividades terapeuticas, tecnicas de avaliacao e de reabilitacao cognitiva (MANERA et al., 2016).
2. Objetivos
Revisar a literatura cientifica que aborda a aplicacao da Realidade Virtual (RV) como uma ferramenta efetiva para o tratamento e reabilitacao de pacientes com demencia.
3. Metodologia de Busca
Trata-se de uma revisao de literatura baseada em artigos originais e relatos de caso em lingua inglesa e espanhola, buscados nas bases de dados PubMed, LILACS, Google Scholar, EBSCO e Scielo. Os estudos foram publicados no periodo de 2014 a 2019 e utilizou-se os descritores na base DeCS: dementia e virtual reality. De todos os resultados, a primeira selecao foi por meio do titulo (46 artigos), a segunda pela leitura do resumo (19 artigos), e a terceira atraves da leitura do artigo completo, restando oito artigos que fazem parte da presente revisao.
4. Discussao
Os oito estudos analisados consideraram o uso da tecnologia da RV como tendo grande aplicabilidade em diversos aspectos da vida do paciente com demencia. Os testes realizados utilizaram softwares e protocolos virtuais diferenciados, como treinamentos computadorizados, simulacoes realisticas, programas virtuais, ambientes de treinamento cognitivo, jogos interativos e exercicios virtuais.
Principais estudos revisados
- **McEwen et al. (2014)** — Investigou a viabilidade de um programa de treinamento em RV para pessoas com demencia. O treinamento mostrou-se viavel, seguro e agradavel, porem as medidas de equilibrio e mobilidade nao foram afetadas.
- **Burdea et al. (2015)** — Descreveu o sistema de reabilitacao cognitiva BrightBrainer. Resultou em melhora significativa na tomada de decisao, tendencia a depressao, velocidade de processamento e atencao auditiva. Oito dos nove testes mostraram melhoras na direcao.
- **White e Moussavi (2016)** — Determinou se um paciente com DA seria capaz de aprender a navegar em um cenario de RV. A esposa relatou melhorias em suas atividades de vida diarias, particularmente nas habilidades de orientacao enquanto dirigia.
- **Manera et al. (2016)** — Testou a viabilidade do uso de RV renderizada em pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL) e demencia. Os pacientes relataram satisfacao, interesse, altos niveis de seguranca e pouco desconforto, alem de preferencia pela versao em RV.
- **Serino et al. (2017)** — Avaliou a eficacia de RV voltado para a sincronizacao de quadros mentais em pacientes com DA. O grupo RV obteve notas melhores no teste de cubos de Corsi, e o grupo de idosos saudaveis tambem apresentou melhora na fluencia verbal.
- **Moyle et al. (2018)** — Testou a eficacia de uma Floresta de Realidade Virtual (VRF). Os residentes experimentaram mais prazer e um maior nivel de alerta, porem maior medo/ansiedade durante a experiencia na floresta.
- **Fasilis et al. (2018)** — Testou o potencial de aprimoramento cognitivo da reabilitacao cognitiva computadorizada. A avaliacao da funcao executiva mostrou melhora significativa quando comparados aos escores de antes, durante e depois do experimento.
- **Eisapour et al. (2019)** — Comparou exercicios em RV com exercicios guiados por terapeuta. Os exercicios em RV eram comparaveis em termos de prazer subjetivo, conforto e nivel de dificuldade. Todos os participantes concluiram as tarefas e 5 queriam continuar praticando.
Beneficios identificados
A revisao encontrou como beneficios do uso da RV: melhoria na funcao executiva e memoria visuoespacial, na fluencia verbal, aprimoramento da direcao e atencao, da tomada de decisao, no humor e tendencia a depressao, melhora na velocidade de processamento e atencao auditiva, alem dos relatos dos pacientes de se sentirem mais alertas, seguros e confortaveis quando realizaram exercicio fisico virtual.
5. Conclusao
Concluiu-se que a realidade virtual possui grande funcionalidade, apresentando-se como uma ferramenta potencial para uma terapia menos invasiva e mais agradavel no que se refere ao tratamento e reabilitacao de pacientes com demencia. No entanto, observou-se que estudos experimentais envolvendo o uso terapeutico dessa tecnologia sao exiguos, e sua aplicabilidade ainda e limitada, principalmente em paises em desenvolvimento, como o Brasil. Portanto, apesar do alto custo necessario para sua execucao, o recurso da RV deve ser disseminado pelos beneficios ja apresentados, possibilitando que sua expansao em estudos experimentais leve a insercao de sua ferramenta nos servicos de saude.
Referencia ABNT
FERNANDES, Sabrina D. V. et al.. Realidade Virtual no Tratamento e Reabilitacao de Demencias: Uma Revisao Integrativa. *In*: FLAUZINO, Jhonas Geraldo Peixoto (org.). **Medicina e Avancos da Pesquisa Basica e Clinica — Vol. 2**. Ponta Grossa: Atena Editora, 2022. DOI: [10.22533/at.ed.6852229069](https://doi.org/10.22533/at.ed.6852229069).
Links Externos
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Perguntas Frequentes
**Como a realidade virtual pode ajudar pacientes com demencia?**
A RV pode melhorar a funcao executiva, memoria visuoespacial, fluencia verbal, atencao, tomada de decisao e humor, alem de proporcionar terapia menos invasiva e mais agradavel.
**A realidade virtual e segura para idosos com demencia?**
Os estudos analisados indicaram que o treinamento em RV e viavel, seguro e agradavel para pacientes com demencia, embora alguns relatem ansiedade e medo em certos ambientes virtuais.
**A RV ja e utilizada em servicos de saude no Brasil?**
A aplicabilidade da RV como ferramenta terapeutica ainda e limitada em paises em desenvolvimento como o Brasil, devido ao alto custo dos equipamentos e a escassez de estudos locais.
**Em qual obra este capitulo foi publicado?**
O capitulo integra o livro *Medicina e Avancos da Pesquisa Basica e Clinica — Vol. 2*, publicado pela Atena Editora em 2022, com DOI 10.22533/at.ed.685222906.