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CoautorNeurociências

Acidente Vascular Cerebral: Revisão da Literatura

AVC é a 2ª causa de morte global com 6,5 milhões de óbitos/ano. Revisão sobre tipos, diagnóstico por TC/RM, trombólise e trombectomia.

1 de março de 2022Tópicos em Neurologia (Atena Editora)

Coautores

V. C. O. S. Miranda, A. L. T. A. Silva, S. O. D. Horta

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Revisão sobre o Acidente Vascular Cerebral, segunda causa de morte no mundo com 6,5 milhões de óbitos anuais. O AVC isquêmico corresponde a 85% dos casos, e a trombólise com alteplase dentro de 4,5 horas reduz sequelas em 30%. A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável, presente em 70-80% dos casos. A trombectomia mecânica estendeu a janela terapêutica para até 24 horas em casos selecionados.

Quais são os tipos, fatores de risco e tratamentos atuais do AVC?

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda causa de morte global, com aproximadamente 6,5 milhões de óbitos por ano, e a principal causa de incapacidade adquirida em adultos. O AVC isquêmico, causado pela obstrução de vasos cerebrais, representa 85% dos casos, enquanto o AVC hemorrágico, por ruptura vascular, corresponde a 15%. A trombólise intravenosa com alteplase, administrada dentro da janela de 4,5 horas, reduz a incapacidade funcional em aproximadamente 30% dos pacientes tratados.

| Aspecto | Detalhe |

|---------|---------|

| Mortalidade global anual | ~6,5 milhões de óbitos |

| AVC isquêmico | 85% dos casos |

| AVC hemorrágico | 15% dos casos |

| Janela para trombólise (alteplase) | Até 4,5 horas |

| Janela para trombectomia mecânica | Até 24 horas (casos selecionados) |

| Principal fator de risco | Hipertensão arterial (70-80% dos casos) |

Fatores de risco e prevenção

A hipertensão arterial é o fator de risco modificável mais importante, presente em 70-80% dos pacientes com AVC. Diabetes mellitus eleva o risco em 2-4 vezes. Fibrilação atrial é responsável por 15-20% dos AVCs isquêmicos, com risco 5 vezes maior de eventos embólicos. Dislipidemia, tabagismo, sedentarismo e obesidade são fatores de risco adicionais bem estabelecidos. Entre os fatores não modificáveis, a idade (duplicação do risco a cada década após os 55 anos), sexo masculino e predisposição genética contribuem significativamente.

A prevenção primária através do controle rigoroso da pressão arterial (meta < 130/80 mmHg para maioria dos pacientes), anticoagulação em fibrilação atrial, uso de estatinas e cessação tabágica pode prevenir até 80% dos AVCs.

Diagnóstico por imagem

A tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste é o exame inicial de escolha, realizado em até 25 minutos da chegada ao hospital (protocolo "door-to-CT"), principalmente para excluir hemorragia e definir elegibilidade para trombólise. A angiotomografia cerebral identifica o local da oclusão arterial, orientando a indicação de trombectomia mecânica. A ressonância magnética com sequência de difusão (DWI) é mais sensível para detectar isquemia precoce e pode identificar tecido cerebral viável (penumbra isquêmica) em pacientes fora da janela clássica de tratamento.

Tratamentos atuais

A trombólise intravenosa com alteplase permanece como tratamento de primeira linha para AVC isquêmico dentro de 4,5 horas do início dos sintomas. A trombectomia mecânica, indicada para oclusões de grandes vasos, revolucionou o tratamento ao estender a janela terapêutica para até 24 horas em pacientes selecionados por neuroimagem avançada (estudos DAWN e DEFUSE 3). A reabilitação multidisciplinar precoce, iniciada nas primeiras 24-48 horas, melhora os desfechos funcionais a longo prazo.

Contexto clínico

O AVC tem impacto direto na saúde mental: 30-40% dos sobreviventes desenvolvem depressão pós-AVC, condição que piora o prognóstico funcional e aumenta a mortalidade. Ansiedade, apatia, labilidade emocional e fadiga são comorbidades psiquiátricas frequentes. O psiquiatra deve integrar a equipe de reabilitação pós-AVC, identificando e tratando precocemente essas condições. A depressão pós-AVC responde a inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), sendo o citalopram e a sertralina as opções com melhor perfil de segurança nessa população.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta do AVC?

O mnemônico SAMU (Sorriso torto, Abraço fraco, Mensagem confusa, Urgente ligar 192) resume os principais sinais: assimetria facial súbita, fraqueza unilateral em membros, dificuldade de fala e compreensão. Cefaleia súbita e intensa, perda visual e alteração de equilíbrio são sinais adicionais. Todo sinal de alerta exige atendimento de emergência imediato.

Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?

O AVC isquêmico (85% dos casos) resulta da obstrução de um vaso cerebral por trombo ou êmbolo, causando isquemia no território irrigado. O AVC hemorrágico (15%) ocorre por ruptura vascular com extravasamento de sangue no parênquima cerebral ou espaço subaracnoide. O tratamento é fundamentalmente diferente: trombólise/trombectomia no isquêmico, controle pressórico e eventual cirurgia no hemorrágico.

A trombólise é segura e eficaz?

A trombólise com alteplase, quando administrada dentro da janela de 4,5 horas, reduz a incapacidade em aproximadamente 30%. O principal risco é a transformação hemorrágica, que ocorre em 6-7% dos pacientes tratados. A seleção criteriosa dos candidatos, baseada em critérios clínicos e de neuroimagem, minimiza os riscos e otimiza os benefícios.

Depressão após AVC é comum?

Sim. A depressão pós-AVC afeta 30-40% dos sobreviventes e está associada a pior recuperação funcional, maior risco de novo AVC e aumento da mortalidade. O rastreamento sistemático e o tratamento precoce com ISRS são recomendados em todas as diretrizes de reabilitação pós-AVC.

Referência ABNT

FLAUZINO, Jhonas Geraldo Peixoto; MIRANDA, V. C. O. S.; SILVA, A. L. T. A.; HORTA, S. O. D.. **Acidente Vascular Cerebral: Revisão da Literatura**. In: Tópicos em Neurologia. Atena Editora, 2022.

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