Insônia
Insônia crônica é subestimada. Afeta produtividade, humor, saúde cardiovascular e imunidade. O tratamento correto prioriza higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental (TCC-I), reservando medicação para casos selecionados, com opções que não causam dependência.

O que é
A insônia é caracterizada por dificuldade persistente para iniciar o sono, mantê-lo ou por despertar precoce, com prejuízo funcional diurno, por pelo menos três noites por semana durante três meses. Pode ser primária ou secundária a outros quadros (ansiedade, depressão, dor crônica).
Epidemiologia
Prevalência em adultos: 10% a 30% para insônia aguda, 6% a 10% para insônia crônica. Mais comum em mulheres (especialmente após menopausa) e idosos. Frequentemente coexiste com ansiedade e depressão.
Sintomas e sinais
Quadro típico apresentado por pacientes adultos.
- Dificuldade para adormecer (latência > 30 min)
- Despertares noturnos frequentes
- Despertar precoce com incapacidade de voltar a dormir
- Sono não reparador (acorda cansado)
- Fadiga diurna, sonolência ou irritabilidade
- Dificuldade de concentração
- Preocupação excessiva com o sono
Sinais de alerta — procure avaliação imediata
- •Pausas respiratórias durante o sono relatadas por acompanhante (apneia)
- •Movimentos anormais de pernas à noite (síndrome das pernas inquietas)
- •Sintomas psicóticos ao tentar dormir
- •Uso crônico de benzodiazepínicos ou outras medicações sem acompanhamento
Como é o diagnóstico
A avaliação inclui anamnese detalhada do sono (hábitos, rotina, ambiente), diário de sono, escalas (ISI — Insomnia Severity Index, Pittsburgh), investigação de comorbidades (ansiedade, depressão, apneia do sono) e, em casos selecionados, polissonografia.
Como é o tratamento
Primeira linha: higiene do sono + terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), com eficácia superior a medicação a longo prazo. Medicação reservada para casos selecionados — opções sem dependência incluem melatonina em formulação correta, trazodona, mirtazapina e doxepina em baixas doses. Benzodiazepínicos são evitados em uso crônico.
Quando procurar ajuda
Quando a insônia ocorre por mais de três noites por semana durante mais de três meses, quando há prejuízo em trabalho ou relações, quando há uso crescente de medicação ou álcool para dormir ou quando há sinais de apneia do sono.
Mitos e realidade sobre insônia
Melatonina é sempre segura, qualquer dose.
A maioria das cápsulas comercializadas tem dose 10 a 20 vezes acima do necessário. Dose correta: 0,3–1 mg (mulheres) ou 0,5–3 mg (homens), tomada 5 a 6 horas antes do horário desejado de sono.
Tem que dormir 8 horas, senão está doente.
A necessidade varia (6 a 9 horas é normal). O importante é acordar descansado. Fixar-se em 8 horas aumenta ansiedade sobre o sono e paradoxalmente piora a insônia.
Beber antes de dormir ajuda a relaxar.
Álcool reduz latência do sono mas fragmenta a segunda metade da noite, piorando qualidade do sono e favorecendo despertares precoces. É um dos piores hipnóticos.
Perguntas frequentes sobre insônia
- Posso tomar melatonina todos os dias?
- Sim, em dose correta (0,3–3 mg), sob orientação médica. Não causa dependência. Usada para insônia por atraso de fase, jet lag ou ajuste de ritmo em trabalhadores de turno.
- Benzodiazepínicos (Rivotril, Lexotan) para dormir — podem?
- Para uso pontual, sim (ex: antes de cirurgia, em crise aguda). Para uso crônico, não são indicados: causam dependência, tolerância, piora cognitiva e maior risco de queda em idosos.
- TCC-I é o quê e por que é melhor que remédio?
- Terapia cognitivo-comportamental específica para insônia. Trabalha crenças sobre sono, restrição de tempo na cama e controle de estímulos. Eficácia superior a medicação após 6 meses e sem efeitos colaterais.
- Trabalho em turno. Como dormir?
- Uso estratégico de melatonina, blecaute no quarto, rotinas protegidas de sono, exposição à luz no início do turno noturno. O manejo é complexo e vale avaliação individualizada.
Artigos sobre insônia
- Saúde Mental
Ansiedade e Insônia: o Ciclo que se Retroalimenta
Compreenda a relação intrínseca entre ansiedade e insônia, os impactos na saúde mental e as estratégias clínicas para restaurar o equilíbrio emocional.
Ler artigo - Saúde Mental
Higiene do Sono: Ciência e Estratégia para o Repouso Restaurador
Descubra como a higiene do sono atua na saúde mental. Dr. Jhonas Flauzino explica práticas baseadas em evidências para restaurar o equilíbrio emocional.
Ler artigo
Pronto para o primeiro passo?
Avaliação estruturada e individualizada para insônia. Presencial em Florianópolis/SC ou teleconsulta em todo o Brasil.
Agendar consulta