Área de atuação · CID-10 F32

Transtorno Depressivo Maior

A depressão não é tristeza passageira. É uma condição neurobiológica que altera humor, energia, sono, apetite e capacidade cognitiva. O tratamento adequado restaura a função — não apenas reduz sintomas.

Dr. Jhonas Flauzino — retrato profissional

O que é

O Transtorno Depressivo Maior caracteriza-se por humor deprimido e/ou perda de interesse ou prazer em atividades cotidianas, presente por pelo menos duas semanas, acompanhado de alterações de sono, apetite, energia, concentração e, em casos graves, ideação suicida.

Epidemiologia

Prevalência mundial ao longo da vida: 15% a 20%. Segunda maior causa de anos de vida perdidos por incapacidade no Brasil. Mais prevalente em mulheres (2:1) e com pico entre 25 e 44 anos. Tem forte componente genético e se agrava com eventos estressores.

Sintomas e sinais

Quadro típico apresentado por pacientes adultos.

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias
  • Perda de interesse ou prazer (anedonia)
  • Alteração significativa de peso ou apetite
  • Insônia ou hipersônia
  • Agitação ou retardo psicomotor
  • Fadiga ou perda de energia
  • Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva
  • Redução de concentração ou indecisão
  • Pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida

Sinais de alerta — procure avaliação imediata

  • Ideação suicida ativa ou plano
  • Incapacidade de manter cuidados básicos (higiene, alimentação)
  • Sintomas psicóticos (delírios, alucinações)
  • Retardo psicomotor intenso com recusa alimentar

Como é o diagnóstico

A avaliação envolve anamnese detalhada, escalas (PHQ-9, Hamilton), investigação de comorbidades (ansiedade, uso de substâncias, transtorno bipolar), diferencial com causas orgânicas (hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina D/B12) e avaliação de risco suicida.

Como é o tratamento

O tratamento combina antidepressivos (ISRS, IRSN, entre outros), psicoterapia (TCC, psicoterapia interpessoal), ajustes de estilo de vida e, em casos resistentes, estratégias como potencialização com lítio, antipsicóticos atípicos, ECT ou estimulação magnética transcraniana (EMT).

Quando procurar ajuda

Procure avaliação quando sintomas depressivos persistem por mais de duas semanas, quando há impacto em trabalho, estudos ou relações, quando há ideação suicida ou quando houve episódios depressivos prévios.

Mitos e realidade sobre depressão

Basta "reagir" e fazer coisas que gosta.

A depressão retira justamente a capacidade de sentir prazer. "Reagir" sem tratamento adequado é como pedir que um diabético regule glicemia pela força de vontade.

Antidepressivo vicia.

Antidepressivos não causam dependência. Pode haver sintomas de descontinuação se suspensos abruptamente — por isso a suspensão é sempre gradual e planejada.

Depressão passa sozinha.

Alguns episódios remitem espontaneamente, mas com tempo prolongado de sofrimento, risco de cronificação e de recorrência maior. O tratamento encurta o sofrimento e previne recaídas.

Perguntas frequentes sobre depressão

Quando o antidepressivo começa a fazer efeito?
Geralmente 2 a 4 semanas para efeito inicial (melhora do sono, apetite) e 6 a 8 semanas para efeito pleno (humor, energia, prazer). Alguns sintomas colaterais iniciais (leve náusea, sonolência) tendem a desaparecer nas primeiras semanas.
Quanto tempo fico no tratamento?
Após remissão do primeiro episódio, o tratamento costuma ser mantido por 6 a 12 meses. Em quadros recorrentes, pode ser necessário manutenção de longo prazo para prevenir recaídas.
O que é depressão resistente?
Quando dois ou mais antidepressivos em dose e tempo adequados não produzem resposta satisfatória. Nesses casos, a investigação considera comorbidades não identificadas, ajustes medicamentosos, potencialização e, quando indicado, ECT ou EMT.
Se eu tiver pensamentos suicidas, o que fazer?
Procure ajuda agora: CVV 188 (24h), SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro mais próximo. Isso não é fraqueza — é sintoma de uma doença tratável, e é o momento de buscar suporte imediato.

Artigos sobre depressão

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